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5.14.2008

Quando a versão supera o original #2

Desta vez até eu estive indeciso. O original (de Elliott Smith) também é muito bom, mas continuo a preferir esta versão da Madeleine Peyroux. Acho que o facto de ela a cantar mais lentamente dá tempo para "entrar na música". O pequeno solo de piano está simples, bonito e remete-me (vá-se lá saber porquê) para uma imagem de uma cidade alta, suja e à chuva (imaginem o som da chuva por trás do solo de piano...).
Para ouvir bem alto.




Between the bars (Elliot Smith)

drink up, baby, stay up all night
the things you could do, you won't but you might
the potential you'll be, that you'll never see
the promises you'll only make

drink up with me now and forget all about the pressure of days
do what I say and I'll make you okay and drive them away
the images stuck in your head

people you've been before that you don't want around anymore
that push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still

drink up, baby, look at the stars
I'll kiss you again between the bars where I'm seeing you
there with your hands in the air, waiting to finally be caught

drink up one more time and I'll make you mine
keep you apart deep in my heart separate from the rest
where I like you the best and keep the things you forgot

the people you've been before that you don't want around anymore
that push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still

9.26.2007

Quando a versão supera o original.

São raros os momentos em que, no mundo da música, nos deparamos com casos em que um determinado tema melhorou imenso quando tocado de uma outra forma por um outro artista ou até mesmo pelo seu autor original (ver post n.º 2 "David Bowie - Loving the Alien").
Quando falo destas "versões" falo, no fundo, de re-interpretações. Falo naquele momento em que o respectivo autor dessa "versão" conseguiu captar a verdadeira essência da música e moldou-a à sua imagem sem no entanto a detorpar.
Poderia enumerar aqui um sem número de versões de outras músicas que, fugindo a esta lei tão nobre, se tornaram perfeitas aberrações ou, simplesmente, cópias mal feitas em que, muitas das vezes, o que se mudou foi apenas o ritmo ou se traduziu a letra (infelizmente a música brasileira tem-nos brindado ultimamente com estes infelizes exemplos...).
Notei, também, que as boas re-interpretações são muitas vezes encontradas no campo do Jazz enquanto que as outras caem mais na área do Pop. Porque será que isto acontece? Será porque os interpretes Jazz são melhores (verdadeiros) músicos? Não creio. Será porque, talvez, não estejam submetidos à pressão comercial de ter que agradar? Talvez.
O que conta é que de vez em quando lá somos brindados com bons exemplos.
A título de exemplo deixo aqui uma soberba interpretação "aJazzada" de uma música Pop: "Love Is Blindness" dos U2.
Não quero com isto dizer que os U2 são maus músicos, pelo contrário!!! Apenas que esta música, a meu ver, ficou muito melhor nesta versão (perdoem-me os fãs...).
Gostei da sensibilidade incutida pela Cassandra Wilson, a sua voz rouca, o "entrelaçar" dos instrumentos acústicos.... está perfeito.









"Love Is Blindness"

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Oh my heart
Love is blindness

In a parked car
In a crowded street
You see your love
Made complete
Thread is ripping
The knot is slipping
Love is blindness

Love is clockworks
And cold steel
Fingers too numb to feel
Squeeze the handle
Blow out the candle
Love is blindness

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Oh my love
Blindness

A little death
Without mourning
No call
And no warning
Baby...a dangerous idea
That almost makes sense

Love is drowning
In a deep well
All the secrets
And no one to tell
Take the money
Honey
Blindness

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Oh my love
Blindness

8.06.2007

Depois das Férias

Eis-me regressado de férias!!
Eis-me regressado da costa Alentejana, a qual não me canso de visitar.
Todas as praias são dignas de visita assim como todas as pequenas mas pitorescas localidades que por ali "pululam"!!
É sempre bom poder usufruir de tudo o que é bom e nosso!!! O Sol, o peixe, a gente da terra (quase) toda muito simpática.



Já que estou a falar de viagens e, ao mesmo tempo, pegando no tema do último post, venho falar de mais um "feito" que vem corroborar que a música é, efectivamente, uma linguagem universal.
Falo-vos do projecto "One Giant Leap".

Este projecto foi realizado em 2001 e nasceu da ideia tão simples mas ao mesmo tempo genial, de dois amigos, de viajar pelo mundo fora e gravar a música que nele se fazia.
Munidos apenas de uma câmara e de um portátil, gravaram os vários artistas, muitos deles nas próprias casas, e misturam, mais tarde, com sons mais "contemporâneos". O resultado foi um album genial e merecedor de dois "grammys".
Aqui fica uma pequena amostra. Uma faixa com o dueto entre "Asha Bhosle" - India e "Michael Stipe" - EUA (Vocalista dos R.E.M).
Podem saber mais aqui.









The Way You Dream

(Ashla Bhosle)
Karmany evaadhikaraste ma phalesu kadacana
Ma karma phala hetur bhur ma te sango'stv arkamani
Paritramaya sadhunam vinasaya ca duskrtam
Dharma samsthapanarthaya sambhavami yuge yuge

(Michael Stipe)
Fall over myself
Don't mean to interrupt
I was miles away
Things I forgot
Are the footstools of God
That's how I behaved
I frighten myself and folded my hand
As you talked to God

I love the way you dream (9x)

Even my most base complaint my sweet
My aims were lower
And even though all my restraint my sweet
My aim was clumsy
And even if there's only one thing I want for you
I want for you

I love the way you dream.

I love the way you love the way you dream, one for me one for you
One for me, one for you.

7.06.2007

Linguagem Universal

Na semana passada, por motivos profissionais, tive que me deslocar até Hamburgo. Depois de horas intermináveis de voos (devido aos atrasos por causa do mau tempo) e outras tantas de reuniões lá nos "brindaram" à noite com um jantar "à alemã".
Aí, no meio de um temporal, como nunca visto naquela região, e dos "bratwurst" consegui finalmente conhecer melhor os meus colegas de outras países e de outras culturas.
Na mesa onde fiquei estava um francês, um suiço, uma holandesa, um austríaco e uma alemã (a anfitriã). No meio das garfadas lá se ía tentado falar dos vários países, da sua gente, hábitos, etc. mas a conversa não"desenvolvia" para desepero da nossa anfitriã, que bem se esforçava a dar dicas para os vários assuntos. Eis senão quando, no meio de uma conversa que estava a manter com ela sobre uma viagem a NY, falei de música (blues e jazz) - os olhos dela brilharam "I love jazz!!" disse ela. Quando tal descobrimos que toda aquela gente que estava na mesa eram todos fãs de Jazz. Pronto! Estava o mote lançado! Foi a noite toda a falar de música. O francês já tinha o previlégio de ter visto Ella Fitzgerald ao vivo bem como Stephane Grapelli, o suiço era louco por Miles Davis, a alemã por Liza Ekdahl, Oscar Peterson e bossanova (embora não percebam puto do que se diz)... enfim foi um bela "cavaqueira" bem regada com uma "lagger".
No final, e porque tinha dito que gostava também de Oscar Peterson, a minha colega alemã prometeu-me um disco dele que não conhecia.
No dia seguinte lá estava ela com o "Soul Español"!!!
Ficou prometido da próxima vez levar-lhe alguma coisa de Jobim e de fado.
Parece que no fim de contas sempre existe uma linguagem que toda a gente entende... a música.
Aqui fica uma faixa desse album: "Soulville Samba".









6.22.2007


Jeff Buckley - "Novo" CD

Pois é... ao fim de 10 anos e depois de muito material editado, eis que sai uma compilação dos maiores êxitos deste fabuloso interprete: "So real, Songs from Jeff Buckley".
Para quem já conhece bem Jeff Buckley este CD não trás nada de novo, exceptuando uma versão inédita de uma música dos Smith "I Know It's Over" e uma versão acústica do "So Real" gravado ao vivo no japão.
Para quem ainda não teve a oportunidade de o ouvir (como será possivel!!!) aqui está uma bela oportunidade de, só num CD, poder ouvir as músicas "mais badaladas" de Jeff Buckley e assim enriquecer grandemente a sua cultura musical ;)))
Fica aqui uma pequena amostra: "Last Godbye" do album "Grace"... um clássico.



This is our last goodbye
I hate to feel the love between us die.
But it's over
Just hear this and then I'll go:
You gave me more to live for,
More than you'll ever know.

Well, this is our last embrace,
Must I dream and always see your face?
Why can't we overcome this wall?
Baby, maybe it's just because I didn't know you at all.

Kiss me, please kiss me,
But kiss me out of desire, babe, and not consolation.
Oh, you know it makes me so angry 'cause I know that in time
I'll only make you cry, this is our last goodbye.

Did you say, "No, this can't happen to me"?
And did you rush to the phone to call?
Was there a voice unkind in the back of your mind saying,
"Maybe, you didn't know him at all,
you didn't know him at all,
oh, you didn't know"?

Well, the bells out in the church tower chime,
Burning clues into this heart of mine.
Thinking so hard on her soft eyes, and the memories
Offer signs that it's over, it's over.

5.09.2007

Fado

Até às paredes confesso... que nunca fui grande fã do Fado, nem mesmo de Amália. Apenas gostava do som da guitarra portuguesa.
Conhecia, porém, os temas mais badalados e os que ouvi durante a minha passagem pela faculdade e que seriam as únicas excepções à regra.
Nos últimos tempos o Fado tem-se, a meu ver, "actualizado". Surgiram novos intérpretes tais como Mariza, Ana Moura, etc... O que vem provar que o Fado, por muito que custe aos mais "puristas", é algo vivo e que tem vindo a adaptar-se aos novos tempos, com novos e diferentes arranjos.
Aqui há uns dias "cruzei-me" com um vídeo do concerto da Mariza em Lisboa e onde ela interpretava "Ó Gente da Minha Terra" da Amália. O meu primeiro impulso foi mudar de canal, mas rapidamente me rendi àquela fantástica interpretação (onde a própria Mariza se emociona criando um momento longo onde não canta mas onde o público lhe dá uma grande ovação). Fiquei literalmente arrepiado. Aquela voz, aquela melodia, aquela orquestra por trás fizeram-me "dar o braço a torcer" e partir em busca de mais conhecimento sobre esta "estranha forma" de cantar, de viver.
Afinal, parece todos nós temos um pouco de Fado dentro de nós, ou não fosse eu português.
Desde a minha última serenata, na Sé doPorto , que um Fado não me fazia arrepiar. Este fê-lo e por isso aqui lhe presto a minha homenagem.









É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi

Podem ver o vídeo aqui.

5.06.2007

Nature Boy

Música de Eden Ahbez, que cultivava uma aparência "à Jesus Cristo" e que vivia debaixo das estrelas nos EUA, é uma das músicas que mais gosto de ouvir.
Já foi interpretada por centenas de artistas, em diversos estilos ao longo dos últimos 50 anos e continua a "evoluir".
E evolui porque a sua melodia é de tal forma "aberta" que dá, aos respectivos intérpretes, total liberdade para a explorar.
Gosto especialmente deste tema porque tem o melhor dos dois mundos: uma melodia simples mas "contundente" e uma letra com um forte sentido filosófico.
Estive verdadeiramente indeciso entre versões do David Bowie com os Massive Attack, e que podem ouvir na banda sonora do filme "Moulin Rouge", a do John Coltrane,a do trompetista John Hassell e a do guitarrista Joe Pass mas optei por duas outras.
A primeira é de uma senhora responsável por desviar a minha atenção para o Jazz Vocal mais contemporâneo: Lisa Ekdahl, e a segunda do "incontornável", e responsável pela edição deste tema: Nat King Cole.
Seria bom que todas as pessoas se encontrassem com o seu "Nature Boy" pelo menos uma vez na vida.





There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A litte shy and sad of eye
But very wise was he

And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things
Fools and kings
This he said to me
"The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return "