9.26.2007

Quando a versão supera o original.

São raros os momentos em que, no mundo da música, nos deparamos com casos em que um determinado tema melhorou imenso quando tocado de uma outra forma por um outro artista ou até mesmo pelo seu autor original (ver post n.º 2 "David Bowie - Loving the Alien").
Quando falo destas "versões" falo, no fundo, de re-interpretações. Falo naquele momento em que o respectivo autor dessa "versão" conseguiu captar a verdadeira essência da música e moldou-a à sua imagem sem no entanto a detorpar.
Poderia enumerar aqui um sem número de versões de outras músicas que, fugindo a esta lei tão nobre, se tornaram perfeitas aberrações ou, simplesmente, cópias mal feitas em que, muitas das vezes, o que se mudou foi apenas o ritmo ou se traduziu a letra (infelizmente a música brasileira tem-nos brindado ultimamente com estes infelizes exemplos...).
Notei, também, que as boas re-interpretações são muitas vezes encontradas no campo do Jazz enquanto que as outras caem mais na área do Pop. Porque será que isto acontece? Será porque os interpretes Jazz são melhores (verdadeiros) músicos? Não creio. Será porque, talvez, não estejam submetidos à pressão comercial de ter que agradar? Talvez.
O que conta é que de vez em quando lá somos brindados com bons exemplos.
A título de exemplo deixo aqui uma soberba interpretação "aJazzada" de uma música Pop: "Love Is Blindness" dos U2.
Não quero com isto dizer que os U2 são maus músicos, pelo contrário!!! Apenas que esta música, a meu ver, ficou muito melhor nesta versão (perdoem-me os fãs...).
Gostei da sensibilidade incutida pela Cassandra Wilson, a sua voz rouca, o "entrelaçar" dos instrumentos acústicos.... está perfeito.









"Love Is Blindness"

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Oh my heart
Love is blindness

In a parked car
In a crowded street
You see your love
Made complete
Thread is ripping
The knot is slipping
Love is blindness

Love is clockworks
And cold steel
Fingers too numb to feel
Squeeze the handle
Blow out the candle
Love is blindness

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Oh my love
Blindness

A little death
Without mourning
No call
And no warning
Baby...a dangerous idea
That almost makes sense

Love is drowning
In a deep well
All the secrets
And no one to tell
Take the money
Honey
Blindness

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Oh my love
Blindness

9.15.2007

Pois... é assim que mudam as pessoas.

" - Pela tua experiência do mundo, como é que as pessoas mudam?
- Bem, tem algo a ver com Deus. Portanto não é muito simpático.
Deus rasga a pele, da garganta ao ventre, com a Sua unha do polegar partida. Depois mete lá dentro uma enorme mão imunda. Pega nos teus vasos sanguíneos. Eles esquivam-se para fugir à Sua mão, mas Ele aperta com força insistindo. Puxa e volta a puxar... até sacar cá para fora todas as tuas entranhas.
E a dor... nem consigo falar disso.
Depois, volta a enfiá-las, sujas, emaranhadas, dilaceradas e cabe-te a ti fazer a sutura.
(...)
Só tripas mutiladas a fingir...
- Pois... é assim que mudam as pessoas"

Diálogo retirado da série "Anjos na América" ("Angels in America") de Mike Nichols.

Este dialogo foi um de muitos diálogos soberbos que tive oportunidade de ver nesta série onde não faltam excelentes interpretações de Al Pacino, Meryl Streep, Emma Thompson, Mary-Louise Parker (da série "Erva" - RTP2), etc.
Vale a pena ver... várias vezes.

8.21.2007

... na senda das aldeias históricas.

Pois é, arranjei mais uns diitas de folga e lá aproveitei para "arejar" mais um bocadinho.
Desta forma, munido de boa disposição e de bons amigos, lá rumei ao Parque Natural da Serra da Estrela (já lá não ia há cerca de 20 anos...).



Entrando por Seia, o caminho, até ao primeiro restaurante ("Mirante da Estrela"), foi feito sempre por estradas serpenteantes e que fazem a delícia de qualquer motociclista. Lá chegado, a vista era magnífica, uma vez que se situava na aldeia mais alta de Portugal - Sabugueiro. Embora o serviço tenha sido muito bom e servido por pessoas muito simpáticas, não me lembro, sinceramente, o que comi pois só me consigo lembrar da sobremesa: Doce de abóbora e noz, com queijo da serra!!! ... já me está a crescer água na boca... chlép, chlép....
Dali dirigimo-nos até à torre onde vale a pena dar uma voltinha no teleférico.



O seguimento da viagem contou com uma breve visita à "pista de ski de verão" em Manteigas. Não se andou de ski.... mas deu para dar uma refrescadela (leia-se molhar os pés) no fresco e límpido rio que por ali passava.
As aldeias históricas mais próximas foram os próximos "alvos a abater".
Depois de já ter conhecido Almeida e Figueira de Castelo Rodrigo (Douro Internacional),
a primeira aldeia a visitar foi a aldeia natal de Pedro Alvares Cabral - Belmonte.



Quando lá entramos deparamo-nos com uma bela Feira Medieval a animar as "hostes".
A aldeia é muito bonita, está muito cuidada e o seu Castelo está em boas condições.
Como a noite já se aproximava foi decidido pernoitarmos pela Covilhã. A clássica cavaqueira ao serão foi dominada pelo cansaço, pois isto de andar de mota com o sol sempre a atestar também "moi" o mais resistente "guerreiro"!!!! ;)
O segundo "alvo", no dia seguinte, foi Castelo Novo, no Fundão.



Aqui vimos uma aldeia, que apesar de pequena, é extremamente bela e imaculadamente limpa! Um breve passeio por lá deu para apreciar os mais belos locais. Aqui achei "piada" a uma pequena lojinha de artesanato, Casa da Lagariça, com muito bom gosto, uma dona muito simpática e produtos regionais de qualidade (em sintonia com a localidade) que vale a pena visitar.
Como a fome já começava a apertar decidimos re-visitar Belmonte para almoçar (e experimentar uma tarte de leite condensado "medieval" que ficou "debaixo de olho" na primeira visita eheheh),mas não, sem antes ter sido picado por uma abelha no pescoço - valeu a rápida intervenção da minha "pendura" UFA!.....
O terceiro, e último, alvo foi Sortelha.



O caminho fez-se por estradas tortuosas mas em bom estado. Lá no cimo estava a aldeia muralhada. Por dentro está também muito cuidada e também oferece mais alguns serviços aos visitantes. Pode-se passear pela muralha e desfrutar das belas vistas. Para a descrever nada melhor que o site oficial da junta de freguesia: aqui.
O regresso dos guerreiros foi tranquilo e com a sensação que estes dois dias tinham sido cinco!!
Gostei de ver todos estes sítios bem cuidados, com pessoas simpáticas, com serviços de qualidade. Gostei de ver a imponência de toda aquela pedra, testemunha de um povo valoroso!!
Fica o desejo de conhecer as aldeias que restam.
Fica um abraço aos amigos que me acompanharam.
Fica, também, um beijo muito especial à minha "pendura" que foi uma verdadeira "guerreira" pois foi a sua primeira viagem de "longo curso" :*
Foram momentos de condão....

8.06.2007

Depois das Férias

Eis-me regressado de férias!!
Eis-me regressado da costa Alentejana, a qual não me canso de visitar.
Todas as praias são dignas de visita assim como todas as pequenas mas pitorescas localidades que por ali "pululam"!!
É sempre bom poder usufruir de tudo o que é bom e nosso!!! O Sol, o peixe, a gente da terra (quase) toda muito simpática.



Já que estou a falar de viagens e, ao mesmo tempo, pegando no tema do último post, venho falar de mais um "feito" que vem corroborar que a música é, efectivamente, uma linguagem universal.
Falo-vos do projecto "One Giant Leap".

Este projecto foi realizado em 2001 e nasceu da ideia tão simples mas ao mesmo tempo genial, de dois amigos, de viajar pelo mundo fora e gravar a música que nele se fazia.
Munidos apenas de uma câmara e de um portátil, gravaram os vários artistas, muitos deles nas próprias casas, e misturam, mais tarde, com sons mais "contemporâneos". O resultado foi um album genial e merecedor de dois "grammys".
Aqui fica uma pequena amostra. Uma faixa com o dueto entre "Asha Bhosle" - India e "Michael Stipe" - EUA (Vocalista dos R.E.M).
Podem saber mais aqui.









The Way You Dream

(Ashla Bhosle)
Karmany evaadhikaraste ma phalesu kadacana
Ma karma phala hetur bhur ma te sango'stv arkamani
Paritramaya sadhunam vinasaya ca duskrtam
Dharma samsthapanarthaya sambhavami yuge yuge

(Michael Stipe)
Fall over myself
Don't mean to interrupt
I was miles away
Things I forgot
Are the footstools of God
That's how I behaved
I frighten myself and folded my hand
As you talked to God

I love the way you dream (9x)

Even my most base complaint my sweet
My aims were lower
And even though all my restraint my sweet
My aim was clumsy
And even if there's only one thing I want for you
I want for you

I love the way you dream.

I love the way you love the way you dream, one for me one for you
One for me, one for you.